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Portela do Fojo 

Portela do Fojo nunca foi, não é e muito provavelmente nunca será uma aldeia. Aliás, em momento algum foi sequer uma povoação, entendendo-se esta como o conjunto de casas permanentemente habitadas por famílias.

Na verdade, Portela do Fojo é um mero sítio, um local de referência, mas carregado de um profundo simbolismo se assim o soubermos interpretar à luz da sua história.    

Quem hoje passe pelo sítio de Portela do Fojo, ao percorrer a Estrada Nacional n.º 344, quer vindo do Norte, pelo Machio, quer vindo do Sul, pela ponte sobre o rio Zêzere que separa Góis do nosso concelho, encontrará a determinada altura a bem cuidada igreja paroquial de Nossa Senhora da Paz. Aí verdadeiramente estará em Portela do Fojo, sede da paróquia e da freguesia. Voltando-nos de costas para a porta principal da igreja encontramos do nosso lado esquerdo, espraiada pelas encostas, as aldeias de Amoreira Cimeira e Fundeira, antiga divisão popular que perdeu, entretanto, o seu sentido, já que o crescimento urbanístico proporcionou uma fusão entre as duas. Daí que comummente se designem aquelas duas povoações simplesmente por "Amoreira".

Ora, Portela do Fojo não é Amoreira, nem Amoreira é Portela do Fojo. Em boa verdade – e por muito que a alguns custe (e sabemos que custa…) – Amoreira é apenas uma aldeia e, portanto, uma povoação sem dignidade de freguesia. Daí que chamar "Amoreira" à freguesia de Portela do Fojo é confundir a parte com o todo. Por outras palavras, é o mesmo que – e passe os exemplos absurdos, mas perfeitamente comparáveis – , apelidar o Algarve de "Faro" ou a ilha da Madeira de "Funchal".

Posta esta primeira distinção, cabe então esclarecer que Portela do Fojo é, pois, um conjunto de aldeias, todas elas unidas a um centro propositadamente escolhido, como se faz referência na análise histórica. As aldeias que a compõem são (partindo de Sul para Norte): Padrões, Folgares, Ribeiro do Soutelinho, Amoreira e Trinhão. Era ainda composta pela aldeia de Vilar da Amoreira, todavia esta desapareceu definitivamente no início da década de 50 do século XX com a construção da Barragem do Cabril e o consequente enchimento da albufeira, sepultando assim a referida povoação. Existem ainda vários casais (outros mais existiram em tempos), todavia não os enumeramos para não maçar os leitores.

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