𝑶 𝒕𝒆𝒎𝒑𝒐 𝒑𝒂𝒔𝒔𝒂, 𝒕𝒂𝒍𝒗𝒆𝒛 𝒅𝒆𝒎𝒂𝒔𝒊𝒂𝒅𝒐 𝒅𝒆𝒑𝒓𝒆𝒔𝒔𝒂 𝒆 𝒒𝒖𝒂𝒏𝒅𝒐 𝒅𝒂𝒎𝒐𝒔 𝒑𝒐𝒓 𝒆𝒍𝒂, 𝒗𝒆𝒎𝒐𝒔 𝒒𝒖𝒆 𝒆𝒔𝒕𝒂𝒎𝒐𝒔 𝒗𝒆𝒍𝒉𝒐𝒔 𝒆 𝒒𝒖𝒆 𝒐𝒔 𝒔𝒐𝒏𝒉𝒐𝒔, 𝒑𝒓𝒐𝒎𝒆𝒔𝒔𝒂𝒔 𝒆 𝒆𝒔𝒑𝒆𝒓𝒂𝒏ç𝒂 𝒒𝒖𝒆 𝒂 𝒅𝒂𝒅𝒐 𝒎𝒐𝒎𝒆𝒏𝒕𝒐 𝒇𝒐𝒓𝒎𝒖𝒍á𝒎𝒐𝒔 𝒆 𝒂𝒄𝒓𝒆𝒅𝒊𝒕á𝒎𝒐𝒔 𝒔𝒆𝒓𝒆𝒎 𝒑𝒐𝒔𝒔í𝒗𝒆𝒊𝒔 𝒅𝒆 𝒂𝒕𝒊𝒏𝒈𝒊𝒓, 𝒆𝒔𝒗𝒂𝒏𝒆𝒄𝒆𝒓𝒂𝒎-𝒔𝒆 𝒐𝒖 𝒔ã𝒐 𝒎𝒆𝒓𝒂𝒔 𝒊𝒍𝒖𝒔õ𝒆𝒔. 𝑶 𝒑𝒓𝒆𝒔𝒆𝒏𝒕𝒆 é 𝒂 𝒄𝒐𝒏𝒔𝒆𝒒𝒖ê𝒏𝒄𝒊𝒂 𝒅𝒐 𝒑𝒂𝒔𝒔𝒂𝒅𝒐 𝒆 é 𝒄𝒐𝒎 𝒆𝒍𝒆 𝒆 𝒄𝒐𝒎 𝒂 𝒄𝒐𝒎𝒑𝒓𝒆𝒆𝒏𝒔ã𝒐 𝒅𝒐𝒔 𝒆𝒓𝒓𝒐𝒔 𝒄𝒐𝒎𝒆𝒕𝒊𝒅𝒐𝒔 𝒒𝒖𝒆 𝒑𝒐𝒅𝒆𝒎𝒐𝒔 𝒑𝒆𝒓𝒔𝒑𝒆𝒕𝒊𝒗𝒂𝒓 𝒆 𝒔𝒐𝒏𝒉𝒂𝒓 𝒐 𝒇𝒖𝒕𝒖𝒓𝒐. 𝑬𝒔𝒕𝒂 𝒓𝒆𝒇𝒍𝒆𝒙ã𝒐 𝒔𝒐𝒃𝒓𝒆 𝒐𝒔 47 𝒂𝒏𝒐𝒔 𝒅𝒐 25 𝒅𝒆 𝑨𝒃𝒓𝒊𝒍 𝒅𝒆 1974, 𝒇𝒐𝒊 𝒇𝒆𝒊𝒕𝒂 𝒂𝒐 𝒍𝒐𝒏𝒈𝒐 𝒅𝒐 𝒑𝒓𝒊𝒎𝒆𝒊𝒓𝒐 𝒕𝒓𝒊𝒎𝒆𝒔𝒕𝒓𝒆 𝒅𝒆 2021, 𝒎𝒂𝒔 𝒔ó 𝒂 𝒕𝒐𝒓𝒏𝒆𝒊 𝒑ú𝒃𝒍𝒊𝒄𝒂 𝒂𝒑ó𝒔 𝒂𝒔 𝒆𝒍𝒆𝒊çõ𝒆𝒔 𝒂𝒖𝒕á𝒓𝒒𝒖𝒊𝒄𝒂𝒔, 𝒑𝒐𝒊𝒔 𝒏ã𝒐 𝒒𝒖𝒆𝒓𝒊𝒂 𝒒𝒖𝒆 𝒆𝒍𝒂 𝒊𝒏𝒕𝒆𝒓𝒇𝒆𝒓𝒊𝒔𝒔𝒆 𝒄𝒐𝒎 𝒂 𝒄𝒂𝒎𝒑𝒂𝒏𝒉𝒂 𝒆𝒍𝒆𝒊𝒕𝒐𝒓𝒂𝒍 𝒒𝒖𝒆 𝒊𝒓𝒊𝒂 𝒅𝒆𝒄𝒐𝒓𝒓𝒆𝒓 𝒏𝒐 𝒎𝒆𝒖 𝒄𝒐𝒏𝒄𝒆𝒍𝒉𝒐. 𝑪á 𝒗𝒂𝒊 𝒆𝒍𝒂.
𝟰𝟳 𝗮𝗻𝗼𝘀 𝗱𝗲𝗽𝗼𝗶𝘀
O 25 de Abril de 1974 para além da alegria da liberdade de expressão e do terminus da guerra do ultramar, deu-nos a esperança de com liberdade transformarmos este Portugal numa democracia plural onde a igualdade de oportunidades o respeito e o progresso fossem uma constante. Algo foi atingido, nomeadamente com a implementação de eleições livres, onde as autárquicas desempenharam um papel determinante quer na realização de infraestruturas sanitárias ( redes de água e saneamento), rodoviárias, na educação, na saúde, no bem estar social etc, etc..
Contudo, em termos nacionais muito, mesmo muito, ficou longe do objectivo.
Senão vejamos:
-O país está altamente endividado, fruto dos desmandos dos nossos governantes e seus comparsas.
-Aumentámos exponencialmente a máquina do Estado, ora criando novos e bem pagos vencimentos, ora passeando entre inaugurações. Criámos um estado gastador e despesista. Esta democracia está demasiado cara.
-A ideologia foi atirada às malvas, quem manda é o capital.
Para sustentar esta máquina pública, mesmo com endividamento progressivo e apesar de todo o dinheiro vindo da Europa, carrega-se nos impostos da classe média, aqueles desgraçados que fruto do seu esforço ganham pouco acima do dobro do ordenado mínimo nacional, e que pagam quase tanto como os CEO da banca, TAP e afins.
A burocracia subiu grandemente. Hoje, abrir um pequeno comércio ou uma pequena indústria é um martírio. Lutar por uma vida melhor na esfera privada é quase proibitivo.
Qualquer governante, desde as câmaras municipais, aos serviços desconcentrados do Estado, quando falta dinheiro, lá vai mais uma taxa ou taxinha. É aferição anual de balanças, é reclames, é registo de temperaturas e humidades, é material de protecção de incêndios, é fundo de garantia de compensação de trabalho é Instituto de Registos e Notariado, IES deposito de contas, etc, etc, etc. Cada serviço prestado, para além dos grandes impostos como IVA, IRC, IRS ,IMI existe uma taxa ou imposto associado (são mais de mil). Por este andar, dentro em pouco até teremos uma taxa ou imposto sobre o ar que respiramos.
-O rigor, a capacidade de entrega ao trabalho e o mérito que tanto é apregoado, é desrespeitado diariamente, apesar da existência das comissões de avaliação.
Deixámos de ter verdade e frontalidade nas afirmações e crescemos em hipocrisia. As mentiras ou meias verdades são uma constante na comunicação política.
Quanto à Educação, banalizámos os valores e princípios morais e educativos, criando alguns pequenos selvagens que tratam os professores sem respeito e aos quais lhe foram retirados poderes formativos e educativos. A humildade, a gratidão, o respeito a honestidade são hoje palavras que não se aprendem em casa, muito menos na escola.
O pessoal docente é colocado tardiamente, longe do seu habitat familiar diminuindo o seu empenho no exercício profissional. Tudo isto tem conduzido a uma redução drástica do grau de conhecimento adquirido. Cada ano que passa sem rigor e exigência torna-nos mais pobres. Não é por acaso que nos rankings educativos são os colégios privados (com propinas dispendiosas, só acessível a ricos ) que ficam nos primeiros lugares. Ou seja, estamos a construir uma sociedade elitista, muito parecida com a do antigo regime.
Hoje a palavra corrupção é já comum no nosso quotidiano. Mesmo a que é descoberta, demora anos e anos em investigação e quando passa para o foro judicial, esses anos duplicam, (e nós a pagar) fruto de legislação permissiva a que o grande capital tem acesso, provocando todo o tipo de atropelos e adiamentos. Quando não há prescrição, a Justiça faz-se fora do tempo, e o estado nada recupera.
No passado ser eleito para exercer funções sociais ou públicas era um serviço que prestávamos á sociedade. Hoje é um privilégio a que muitos dos mais capazes e competentes se furtam, fruto de tanto escrutínio, visibilidade pública e baixas remunerações, sendo pois escolhidos alguns dos menos competentes mas mais ambiciosos, o que tem permitido os maiores desmandos.
Os melhores é que deveriam estar no governo, quer do país, quer das autarquias.
Reduza-se o número de deputados e remunerem melhor esta gente. Trabalhem mais e passeiem menos. Com o mesmo gasto pode fazer-se mais e muito melhor.
Aderi ao PPD/ PSD em 1975. Desempenhei funções autárquicas ao longo de muitos anos, mas sempre com interrupções de pelo menos oito anos. Bati-me e pedi votos por gente que considerava competente e honesta e que me foi desiludindo.
Fruto de todo este estado de coisas, o povo deixou de acreditar na política e nos políticos. Vemos a abstenção sempre a subir, atingindo níveis demasiado elevados e foram aparecendo os partidos radicais, de direita e de esquerda.
Esta democracia foi apodrecendo.
Por tudo o exposto, sinto-me cansado e desiludido com este sistema do qual o Partido Socialista e o Partido Social Democrata são os únicos responsáveis. A governação foi da sua responsabilidade ao longo de 45 anos (exceptuando dois governos de iniciativa presidencial, de curta duração- Drª Maria de Lurdes Pintassilgo e Engº Nobre da Costa).
É este o Portugal de hoje, não aquele que eu tanto ambicionei em 1974.
Continuando a pensar que a social-democracia é o melhor sistema para promover progresso económico e justiça social, não encontro no actual sistema partidário quem a aplique com coragem, saber, verdade e honestidade e realize as verdadeiras reformas, tanto adiadas que este país precisa.
De há muito que a minha desilusão com o actual sistema se vem acentuando, contudo, só agora entendi ser oportuno torna-lo público.
Quero sentir-me livre, para poder apoiar em cada momento, o que achar melhor para o meu país.
25 Setembro 2021
𝑯𝒆𝒓𝒎𝒂𝒏𝒐 𝑴𝒂𝒏𝒖𝒆𝒍 𝑮𝒐𝒏ç𝒂𝒍𝒗𝒆𝒔 𝑵𝒖𝒏𝒆𝒔 𝒅𝒆 𝑨𝒍𝒎𝒆𝒊𝒅𝒂