A maturidade da democracia

Os eleitores certamente farão a escolha mais compatível com as suas convicções, mas o mais importante é que em Pampilhosa da Serra a democracia saia reforçada com a civilidade e o civismo a serem os valores mais elevados e inquestionáveis. 

Quase meio século depois, a política ao nível autárquico desde que fora das Redes Sociais, começa a mostrar maturidade e os seus intervenientes perceberam finalmente que mais importante que combater desenfreadamente os adversários, é mostrar os próprios projetos e linhas de pensamento.

Em Pampilhosa da Serra, mesmo longe dos centros de decisão política e fora das quezílias da política nacional, a democracia é de certa forma vivida com maturidade e porque não dizer, com elevação e assertividade. Os intervenientes que mercê das circunstâncias estão em melhor posição para disputar a vitória final, mostram-se autoconfiantes sem dificuldades em expressar a sua opinião

Jorge Alves Custódio, de inegável experiência na “coisa pública”, e que será expectável que represente a continuidade, tem como adversário direto, o jovem Ricardo Serra que de certa forma se mostra disposto a romper o fio condutor que levou Pampilhosa da Serra ao patamar onde se encontra.

A maturidade de um e a vontade de rotura do outro vão certamente colocar dilemas importantes aos eleitores, ainda para mais o candidato do PSD afirma, e citamos, “não renego nem me envergonho do meu trabalho enquanto autarca desde 2001”.  Por sua vez o candidato Socialista, saído das fileiras Social Democratas, não receia em admitir, e voltamos a citar, “O nosso projeto é um misto de inovação e de continuidade”.

Um e outro, verdadeiros apaixonados por Pampilhosa da Serra distam apenas um do outro pela experiência, sendo que neste campo leva vantagem Jorge Custódio, que soma à experiência, uma inquieta sede de inovação, provada em Pessegueiro e em alguns projetos camarários, no entanto, e segundo alguns pontos de vista, essa vantagem é esbatida por ser o candidato do sistema.

Não seria mau de todo representar o sistema, traria até inegáveis vantagens, mas a liderança da Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra, mercê de não ser um território independente, e fazer parte de uma região mais vasta, teve que tomar decisões impopulares.

Os eleitores certamente farão a escolha mais compatível com as suas convicções, mas o mais importante é que em Pampilhosa da Serra a democracia saia reforçada com a civilidade e o civismo a serem os valores mais elevados e inquestionáveis.

Em Pampilhosa da Serra, contrariamente a alguma vozes adeptas do negacionismo cínico e despropositado, vive-se uma democracia plena e madura, e assim sendo nesta corrida o CDS, pela voz de  João Pedro Gonçalves  não receia assumir-se como um projeto inovador; “ O meu projeto é inovador, dado que os Pampilhosenses têm oportunidade de adquirir confiança e de combater o medo de representar politicamente o nosso concelho, fora do quadro governativo, manifestamente desgastado, dos últimos 20 anos.”

Aline de Sousa Morais, uma Luso Brasileira perfeitamente integrada nas Serras da Pampilhosa, é a voz da esquerda nestas eleições  em representação da CDU. Um misto de continuidade e revolução à vista, defende os bons projetos, mas não recusa a inovação.

Neste panorama de tranquilidade amadurecida pela autoconfiança dos intervenientes, as Redes Sociais alheias ao bom senso e muitas vezes à legalidade não têm acrescentado nada de novo, sendo que apenas os candidatos as usam para mais rapidamente chegar aos seus utilizadores.

Usamos a palavra utilizadores e não eleitores de forma consciente e sem qualquer tipo de restrições, pois temos a convicção que não será este ambiente de sociedade artificial que vai influenciar a opinião de quem vota, antes pelo contrário. O amadurecimento da população no território, e não só no território, leva a que cada vez mais se veja as Redes Sociais como uma máquina infernal sem qualquer propósito palpável, a não ser o de propagar de forma desenfreada sem plano final, de promover sem objetivo definido. Nem mesmo os que só saem da “toca” em momentos estratégicos, arvorados com ares de grandes pensadores, marcarão pontos palpáveis.

A liberalização das chamadas Redes Sociais, teve, e certamente continuará no futuro a ter uma importância vital nas sociedades, mas não será certamente pela via atual, a não ser que a seleção de contactos comece a dar frutos, e finde o clima de autopromoção, mesmo explorando os piores cenários.

Luís Gonçalves

0
0
0
s2sdefault