António Lopes, escritor pampilhosense e Luís Moniz Pereira acabam de lançar o interessante livro "Máquinas Éticas - Da Moral da Máquina à Maquinaria Moral". Embora esta edição já tivesse chegado aos escaparates há alguns meses, na versão em inglês, é com muito agrado que noticiamos que já se encontra à disposição dos leitores na língua de Camões.

Os avanços da Inteligência Artificial (IA) mudarão drasticamente a nossa forma de encarar o conhecimento e as organizações sociais, as relações políticas e económicas, e as relações interpessoais. A substituição do Homem por máquinas cognitivas e robôs pensantes coloca problemas de desemprego a uma escala inaudita. A IA irá alavancar mais o hiato entre ricos e pobres se a distribuição da riqueza que produz não for justa.

É, pois, chegada a hora de pensar os tópicos da Moral Computacional de modo sistemático. Por um lado, do ponto de vista da programação de robôs e software cognitivo, como e qual a moral a ensinar às máquinas? Por outro, do ponto de vista da ética social e política, que IA desejamos? Estamos a tempo de enviar um cenário distópico, onde os donos das máquinas escravizam os restantes humanos? Como regulamentar a competição sem segurança entre empresas? Haverá um caminho para implementar programas de IA benévolos?

Estes são os temas e questões do presente livro. A sua leitura permitirá melhor compreender e discutir o actual estado da IA, o seu impacte social e expectativas sobre futuros possíveis.

Entre os tópicos mais desafiantes do domínio da Moral Computacional, há dois que gostava de destacar. O primeiro, prende-se com a dificuldade e urgência em encontrar caminhos viáveis para dotar máquinas cognitivas autónomas com critérios de decisão moral, que sejam aceitáveis. O segundo, envolve tópicos de Ética Social e Política relacionados com as consequências da automação do trabalho, a distribuição da riqueza gerada (que por enquanto segue caminhos de concentração intoleráveis) e a dignidade da pessoa humana, associada às actividades e funções sociais que lhe são inerentes. O certo é que o ecossistema cognitivo será cada vez mais partilhado entre humanos e máquinas, dando assim azo a narrativas diversas sobre o que será o nosso futuro com a IA. Concretizaremos certamente algo que estará entre os pesadelos distópicos mais severos, implicando a escravização, empobrecimento e estupidificação da esmagadora maioria da população; e as utopias optimistas, nas quais as máquinas estarão ao serviço de todos, libertando-nos do trabalho fastidioso e permitindo que cada um realize plenamente a sua humanidade. Pender mais para um lado, ou para o outro, vai depender do modo como nos conseguirmos organizar em ordem a influenciar o processo. Este livro aborda estes e outros temas e, finalmente, pode ser encomendado através do seguinte link: https://novafcteditorial.pt/livros/outros-horizontes/

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