"A minha aldeia, leva-me sempre até às minhas memórias de infância, onde ansiava pelas férias de verão, para poder ir com os meus avós para este lugar onde, junto com a minha bisavó, e os meus avós paternos, tios e amigos, me deram a conhecer uma existência diferente da vida que vivia na cidade. Sempre foi um lugar que me encheu de felicidade."

 

A cepa Pampilhosense, sempre foi pródiga em fornecer gente capaz de se destacar nos mais variados campos da sociedade atual. A nossa entrevistada de hoje, profissional no ramo imobiliário, é bem o exemplo do que as Serras da Pampilhosa dão ao mundo.

Com um Doutoramento em Psicologia, mestrado em Psicologia Forense, um MBA em Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva, tem ainda um vasto currículo na área da gestão de recursos humanos.

Paula Almeida e Silva, nascida em Moçambique na cidade de Porto Amélia, atual Pemba, filha de pais oriundos de Lisboa com raízes no Sobral de Baixo, Pampilhosa da Serra, é o exemplo vivo, da versatilidade dos pampilhosenses que mesmo não tendo nascido nas Serras da Pampilhosa as abraçam com carinho.

 

SerrasOnline News - Comecemos pelo mais fácil. Quem é a Paula Almeida e Silva?

Paula Almeida e Silva – Nasci, a 2 de setembro de 1970, em Pemba, tendo vindo para Lisboa com 1 mês e meio, onde permaneci até idade adulta. As minhas férias eram passadas com os avós paternos no Sobral de Baixo, na Pampilhosa da Serra, onde guardo vastas memórias.

Na sequência do meu casamento com o bancário Luís Almeida e Silva, em 1997, passei a viver em Coimbra. Sou mãe de um filho.

 

SerrasOnline News - O seu regresso a Portugal como aconteceu?

Paula Almeida e Silva – Os meus pais casaram em 1968, o meu pai foi para Moçambique, poucos meses depois de ter casado, por causa da tropa, a minha mãe acompanhou-o. A minha mãe regressou a Lisboa comigo, tinha eu um mês e meio. O regresso do meu pai deu-se no dia 12 de setembro de 1971, tinha feito um ano há 10 dias.

SerrasOnline News - Como olha hoje para o País que a viu nascer?

Paula Almeida e Silva – Através das histórias que ouvi e das fotografias trazidas pelos meus pais, criei sobre Pemba, imagens de uma das praias mais bonitas, onde a água é cristalina e azul.

Hoje, tal como na altura, permanece a controvérsia sobre as razões da violência, num país onde, genericamente, o acesso da população a condições básicas, como água, alimentação, saneamento, educação e saúde, ainda é um desafio.

Vítima de redes terroristas, que constituem uma ameaça direta ao modo de vida.

SerrasOnline News - Pampilhosa da Serra. Sabemos que as suas férias eram passadas no Sobral de Baixo, Pampilhosa da Serra. Que ligações mantém com a aldeia?

Paula Almeida e Silva – A minha aldeia, leva-me sempre até às minhas memórias de infância, onde ansiava pelas férias de verão, para poder ir com os meus avós para este lugar onde, junto com a minha bisavó, e os meus avós paternos, tios e amigos, me deram a conhecer uma existência diferente da vida que vivia na cidade. Sempre foi um lugar que me encheu de felicidade.

Um sentimento de liberdade, uma afinidade com a natureza, sentir as raízes da minha família paterna, de viver em plenitude os dias compridos de verão, de acordar cedo e deitar-me cansada de tanta vivência, mas também de contemplação.

As minhas grandes memórias são com a minha avó Tina (Maria Albertina), que me acompanhava pelas serras, onde dei muitos mergulhos nos rios e ribeiras, onde fazíamos os piqueniques a meio da tarde onde o pão, que chamava carcaça grande, com os queijos da serra extraordinários, um que gostava era o queijo picante, e a fruta da época a tangerina e as ameixas; memorável.

Saudades das longas caminhadas que dava com a minha avó, das brincadeiras com os primos e amigos, das confraternizações em família, dos bailes de música popular no dia da festa da terra. Mas também lembranças, das broinhas que a minha bisavó e avó faziam para mim com carne, do bolo de laranja da minha avó Tina, de me dedicar à agricultura, ou ir dar alimento aos coelhos, galinhas, e cabras, ou quando durante as nossas caminhadas, apanhávamos morangos pequeninos, ou amoras selvagens, de a ouvir a rezar o terço a cada fim de dia, das nossas conversas e do seu riso e também de um sentimento estranho, por ter o sentimento de não ter usufruído melhor o tempo enquanto cá estava!

Tenho tantas lembranças e tantas saudades daquela avó pequenina com uma grande alma!

SerrasOnline News - Tem ou já teve algum envolvimento com a Liga de Melhoramentos de Sobral de Baixo?

Paula Almeida e Silva – Participava nos almoços convívio, que tinham como finalidade a convivência assim como ouvirem sugestões.

Quando a minha avó era mordoma, tratava da ornamentação da festa.

SerrasOnline News - Como olha no presente para a terra onde os seus avós têm as raízes?

Paula Almeida e Silva – São cada vez menos habitantes. Poucas crianças e jovens, que precisam estudar numa vila/cidade vizinha.

SerrasOnline News - Da Psicologia para o imobiliário, como acontecem estas coisas?

Paula Almeida e Silva – A minha atividade profissional, durante 17 anos, foi no ICP-ANACOM-Autoridade Nacional das Comunicações, IP.

Durante o tempo em que fui colaboradora da ANACOM, estive em regime de requisição, de 2001 a 2003, no ISS-Instituto de Segurança Social, IP., onde desempenhei funções de Secretaria Executiva do Presidente da Segurança Social, e de 2004 a 2008, também em regime de requisição, na AMA-Agência para a Modernização Administrativa, IP., tendo executado funções na Unidade de Gestão da Loja do Cidadão de Coimbra.

Sempre cumpri com grande profissionalismo, rigor e competência as minhas funções, tendo sido reconhecido o meu desempenho profissional através de cartas de recomendação das entidades onde estive requisitada: ISS - Instituto da Segurança Social, IP e AMA - Agência para a Modernização Administrativa, IP.

Durante o período em que estive requisitada em Coimbra, naturalmente, acabei por me estabelecer na zona, tendo, inclusive, sido mãe, nessa altura. Sucedeu que, por decisão imperativa dessa Autoridade, fui forçada a regressar à ANACOM, numa altura sensível da minha vida pessoal, por ter sido mãe há relativamente pouco tempo. Essa alteração brusca, com implicação na minha estabilidade familiar, e o facto de terem deixado de autorizar as requisições, implicou que tomasse a decisão de ficar em Coimbra e dar como terminado a meu vínculo a essa entidade. Após saída da ANACOM, iniciei e terminei o meu Doutoramento em Psicologia.

Durante os anos que passei como colaboradora da ANACOM identifiquei-me bastante com a cultura da empresa, tendo criado fortes relações profissionais e pessoais com os restantes colaboradores. Relações que mantenho até hoje.

Atualmente abracei um novo desafio profissional…

SerrasOnline News - Com a pandemia a influenciar as nossas vidas, o ramo imobiliário tem sentido os efeitos nefastos deste momento?

Paula Almeida e Silva – Num período marcado por grande alvoroço social e económica, devido à pandemia da Covid-19, o ano de 2020 foi desafiante para o imobiliário, mas o impacto foi diferente nos vários segmentos de negócio. A forte quebra assinalada na atividade da hotelaria e no Alojamento Local, contrasta com o crescimento da construção e nas vendas de imóveis de habitação.

O setor imobiliário tem-se mostrado resiliente à pandemia, apontando para uma vontade crescente de investir. O mercado imobiliário mostrou uma resiliência ímpar. As famílias deram continuidade aos seus interesses e tomaram consciência da importância da casa, habitações com mais espaço, conforto, mais distantes dos centros das cidades, mais próximas da natureza. Esse ganho de consciência vai ser benéfico para quem trabalha neste setor.

A verdade é que, embora os preços das casas continuem altos, o compasso médio da subida dos preços já não é como foi nos últimos anos, logo os preços podem começar a reajustar-se à realidade portuguesa.

SerrasOnline News - Sente que apesar das enormes dificuldades os portugueses ainda sentem vontade de investir na habitação?

Paula Almeida e Silva – Tudo indica que, vai continuar a existir procura e vontade, de investir no nosso país.

SerrasOnline News – Qual o primeiro passo a dar, para vender um imóvel?

Paula Almeida e Silva – O primeiro passo a dar, passa pela resposta às seguintes questões: Qual a urgência que tem em vender? Será vantajoso? (Considerando o valor da compra do imóvel e aquele que é o valor de mercado atual)? Está preparado para comercializar o imóvel ao valor de mercado? Existe uma tendência emocional, de considerar que o imóvel, vale mais do que realmente vale?

SerrasOnline News - Quero comprar um imóvel para habitação. Que providências devo tomar para que tudo corra como planeado?

Paula Almeida e Silva – comprar casa engloba várias etapas, mas, com o acompanhamento e aconselhamento certos, a sua experiência imobiliária poderá tornar-se bem mais simples.

SerrasOnline News - A Administração Publica e os Bancos, contribuem de alguma forma para aligeirar a compra de habitação, face às restrições atuais?

Paula Almeida e Silva – Este ano 2021, existe uma maior oferta de imóveis novos, é inato que haja um desvio da procura para esses imóveis, que possa afetar os preços dos imóveis usados.

Os indícios que tenho por parte dos bancos, para 2021, é que o crédito irá manter as condições. Contudo, a partir do segundo semestre, penso que se vai começar a sentir algumas restrições na concessão de crédito. Relacionado com o fim das moratórias, com o aumento do desemprego e perda de rendimento das famílias.

Reparemos para o mercado:

No crédito habitação

2019 - 10,5 mil milhões euros

2020 - 11,4 mil milhões de euros

No crédito ao consumo

2019 - 5,3 mil milhões euros

2020 - 4,3 mil milhões de euros

No crédito para outros fins

2019 - 2,3 mil milhões de euros

2020 - 2,2 mil milhões de euros

No global, as famílias endividaram-se em

2019 - 18,1 mil milhões de euros

2020 - 17,9 mil milhões de euros

Há 12 anos que os bancos não emprestavam tanto dinheiro para a compra de casa, segundo os dados divulgados pelo Banco de Portugal. A Banca continua recetiva e disponível para conceder financiamentos.

A redução de crédito ao consumo, conjugado com o aumento do crédito habitação, dá um sinal claro quanto à prioridade dos portugueses, claramente é a casa, e também uma maior prudência no consumo em geral.

SerrasOnline News - Do ponto de vista do ramo imobiliário, como considera o Território Pampilhosense?

Paula Almeida e Silva – O concelho de Pampilhosa da Serra, ao longo do tempo, tem sofrido de um fenómeno de desertificação, com efeitos a vários níveis, particularmente no desenvolvimento da economia local, pelo que o Município de Pampilhosa da Serra tem vindo a incrementar esforços que ajudem, não só a fixação das famílias, como para a criação de dinâmicas de crescimento económico, no qual a imobiliária pode assumir um importante papel, com resposta de imóveis sendo um instrumento potenciador de fixação de pessoas.

No terceiro trimestre do ano passado, os imóveis da capital tinham preços 20 vezes superiores aos da vila da Beira Baixa. Lisboa, tem as casas mais caras do país, enquanto a Pampilhosa da Serra tem as mais baratas. A diferença de preços entre os dois municípios supera os 2.700 euros por metro quadrados.

Um aumento da procura por moradias em detrimento de apartamentos, a procura por moradias, fora dos enormes centros urbanos, coloca-se por haver maior variedade de imóveis e os preços serem mais acessíveis. Uma oportunidade para quem tem este tipo de imóveis para vender.

SerrasOnline News - Investir no campo, longe das cidades, ou mesmo nas Serras da Pampilhosa, pode ser um bom negócio?

Paula Almeida e Silva – Casas mais espaçosas, com áreas exteriores, uma tendência do momento, impulsionada, em parte, pela pandemia. Sim pode ser um bom negócio.

SerrasOnline News - Geograficamente onde a podemos encontrar no seu trabalho atual?

Paula Almeida e Silva – A minha principal zona de trabalho é em Coimbra, a nossa Hub fica na rua Doutor Paulo Quintela n. 63, 3030-393 Coimbra.

Porém, tenho clientes em diferentes áreas do país, muitos dos negócios acontecem em Lisboa e Porto. Nada me impossibilita de ajudar os meus clientes em diferentes zonas. Esta é a mais valia de trabalhar “em rede”, onde posso reencaminhar um cliente para um consultor Zome de confiança em qualquer distrito do país, possibilitando-me ir ao encontro dos meus clientes e prestar o melhor serviço onde quer que estejam, com base no profissionalismo e na transparência.

SerrasOnline News - Sabemos que é casada e mãe. Como gere o dia a dia?

Paula Almeida e Silva – A realidade é que algumas vezes negligencio, o tempo de dar atenção à família. Quando chego a casa ainda permaneço ligada através de email, redes sociais e tarefas que ficaram por fazer, continuando a responder, a telefonemas, mensagens. O trabalho nunca acaba, está sempre em modo “on”, seja à semana, ao fim de semana ou até nas férias. É difícil, passar férias sem telefone e computador, com clientes e negócios para acompanhar.

O desafio é grande, como tudo na vida. O ideal é desconectar-me quando estou com minha família. Isso significa, por exemplo, não verificar o e-mail profissional e o grupo do WhatsApp do trabalho para poder desfrutar do tempo com o meu filho, com a minha família. Como psicóloga, sei que a opção está no bom senso e no equilíbrio.

Trabalho na Zome que aposta na formação em articulação com as ferramentas tecnológicas que desenvolve e disponibiliza, o que torna o meu trabalho mais simples, fácil e eficaz. E, logo, o serviço prestado ao cliente reflete essa realidade, fazendo com que nos destaquemos no mercado imobiliário.

SerrasOnline News - A pandemia veio alterar as rotinas familiares?

Paula Almeida e Silva – Conto com o apoio do meu marido, e o meu filho com 17 anos, é bastante autónomo, o que me facilita na conciliação entre a vida profissional, pessoal e familiar.

A pandemia do Covid-19 chegou de forma inesperada, levando a que as “regras do jogo” mudassem, neste caminho, o recurso à tecnologia tem sido uma aposta porque é o que me permite o acompanhamento mais próximo ao cliente, ou seja, aquilo que nos diferencia no mercado. Esta evolução passa por uma modernização dos processos de trabalho e pela simplificação da maneira de como se faz negócio neste setor.

SerrasOnline News - Serão certamente muitos os contactos que tem na sua vida profissional. Como se protege?

Paula Almeida e Silva – Tive de me alinhar aos novos tempos, no meu setor, que assenta da confiança das pessoas que abrem as portas da sua casa, o meu maior foco é na segurança!

Quando faço visitas presenciais aos imóveis, levo um kit de segurança e higienização para mim e para o número de pessoas que for visitar o imóvel. O kit contém desinfetante de mãos, máscara, luvas e proteção para sapatos.

O mercado não deve parar e os clientes conseguem continuar a vender, comprar e arrendar na conjuntura atual. Por isso, apresento soluções que minimizem os riscos inerentes à pandemia que vivemos e que proporcionem condições para o funcionamento de um mercado sólido, atrativo e com um futuro promissor porque os fundamentos e vantagens da atividade mantêm-se inalterados, apesar deste período desafiante.

SerrasOnline News - De algum modo a família sente alguma insegurança com a sua atividade?

Paula Almeida e Silva – Sou mãe, sou esposa, sou profissional… nunca vivenciei uma crise como esta, é tudo uma nova aprendizagem. A minha família, não tem motivos para estar insegura, sabe que trabalho com segurança.

Não parei de trabalhar, durante o confinamento. Felizmente, tive capacidade de resposta para conseguir lidar com esta nova realidade. Mais uma vez, a Zome antecipou-se e logo no início do confinamento fundou um gabinete de crise, que estudou as soluções necessárias para continuarmos a falar com os clientes, a colocar imóveis no mercado e a fechar negócios, tudo em segurança.

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