O ano de 2020 tem sido um desafio para a saúde pública em todo o mundo.

Entretanto, os efeitos da pandemia do Coronavírus têm trazido uma série de desafios para todas as demais áreas da sociedade, principalmente para a educação.

Desde o mês de março, as instituições de ensino, juntamente com os poderes públicos, têm discutido, pensado e repensado maneiras de dar sequência ao aprendizado. E apesar das decisões serem tomadas de forma conjunta, são os diretores das escolas que precisam lidar diretamente e diariamente com as mudanças constantes de cenário.

Chegados ao fim do 1ºperiodo, e analisando todo o percurso que foi feito pela escola, desde março até ao presente, não posso deixar passar o momento sem tecer algumas considerações relativamente a todos os elementos que constituem uma Comunidade Escolar.

A classe docente ao longo de cerca de duas décadas até ao presente, não tem sido tratada com respeito, nem lhe tem sido reconhecida a importância do seu contributo na formação dos jovens que terão no futuro responsabilidades políticas, sociais, económicas entre outras. Razões suficientes, per se, para ser reconhecida e considerada.

Não foi nunca, ab initio, intenção da classe ocupar lugar de pódios, promover ruídos de aplausos ou conquistar legiões de servos num feudalismo de classe. Porém, reclamamos o que eticamente sempre nos devia ter sido reconhecido. O respeito de uma classe detentora de uma formação e massa intelectual elevadas e que tem vindo a dignificar e educação deste pais. independentemente dos ataques que têm surgido das mais variadas vertentes da sociedade, descredibilizando-a, in toto , e fragilizando-a tornando-a impotente face aos impactos de total falta de respeito na Comunidade Educativa onde se insere para a qual trabalha, mas que em nada é reconhecida no seu valor, ainda assim, não vacila e plasma-se o se comportamento no dia a dia de trabalho com os seus alunos e demais elementos da Comunidade.

Agora, como que por milagre, ou por efeitos da pandemia do Coronavírus, percebeu-se que afinal os professores ocupam um lugar imprescindível na dinâmica social de um país.

Mas não ficamos por aqui. É esta classe envelhecida e de risco, que face a todas as vicissitudes atinentes à questão pandémica que vivemos, que continua com toda a dignidade intelectual que sempre lhe foi característica, porém nada reconhecida, que mantêm a escola, que acolhe os alunos, as famílias, implementa as novas tecnologias procurando não deixar nenhum aluno à parte do processo, surjam lá as entropias que surgirem.

É esta a Escola que procura assentar as aprendizagens na aquisição de competências procurando que a formação do aluno assente numa crescente formação de complexidade cognitiva.

É este a Escola que procura centrar a educação no aluno, tornando-o no centro das aprendizagens.

É esta a Escola que procura promover um trabalho colaborativo, de comunicação e trabalhando cada vez mais, e melhor a autonomia, capacitando o individuo, para a aquisição de melhores patamares de proficiência, aumentando a competência autodiretiva.

São também este professores que em cargos de direção, apesar de serem solicitados diariamente, com mais de 90% para questões de COVID-19, entre o preenchimento diário de plataformas, envio de grelhas, matrizes, plantas comunicações aos encarregados de educação e ainda comunicações constantes aos pais que, “a bico de alfinete” encontram defeitos, reclamam direitos, e até dão orientações sobre os mais variados temas organizativos, como quem reclama tirar um jogador e colocar outro em campo, conseguem ainda, gerir questões pedagógicas, financeiras, organizativas, administrativas entre outras.

Mas não fica por aqui a tarefa hercúlea da Escola da Pandemia. Uma vénia muito especial deve ser feita aqueles que também sendo de grupos de risco, ou por comorbidades ou pela sua já avançada idade, ali estão firmes ao lado da direção num trabalho tão uníssono quanto profissional. Os Assistentes Operacionais e os Assistentes Técnicos.

É a Escola de hoje, é a Escola da Pandemia, reinventada, reajustada mas dignificada pela massa intelectual que nunca desistiu do deu valor, da sua função, da sua missão. A classe docente na Educação!

Fátima Fernandes Morais

Diretora do Agrupamento de Escolas do Algueirão

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