Credito Pixabay

A história tal como a conhecemos, é uma lição mais que suficiente para nos mostrar que em cada calamidade houve sempre um momento, ainda que ténue, de oportunidade.

As novas energias, até agora uma oportunidade para as Serras da Pampilhosa, podem muito bem tornar-se uma calamidade sem precedentes, podem até mesmo ser a razão do desaparecimentos das Serras enquanto local natural e aprazível.

Mais concretamente o lítio, pode vir a tornar-se numa calamidade, ao invés de um mar de oportunidades.

Se não vejamos:

Países como a Austrália, Chile, Argentina, ou mesmo a China, estão dispostos a pagar o preço da exploração, enquanto este, o preço, cai a pique. Num futuro muito próximo, o dramático resultado para Portugal será uma balança desequilibrada, num lado os lucros do lítio, no lado oposto estão os enormes desastres ambientais. Incalculavelmente mais pesados que o "vil metal".

Nas Serras da Pampilhosa, e caso se venha a confirmar a trajetória actual que os projecto estão a tomar, o desastre será provavelmente o princípio do fim. As receitas para Portugal serão irrisórias, e para as Serras serão uma miséria, ou porque não dizer, a miséria de um ambiente afetado e destruído.

Mas em torno desta incerteza, há algo que muitos já questionaram, e nas mesma proporção as respostas faltaram.  Qual o contributo financeiro ou outro, que o lítio trará para a economia do interior dos territórios afetados?

Por outro lado, e vendo a questão do ponto de vista exclusivamente financeiro, pode o interior  dar-se ao luxo de rejeitar esta oportunidade internacional em favor do ambiente, em favor da qualidade de vida de zonas de baixa densidade?

Estratégias baseadas no ambiente, no bom ambiente, terão certamente no lítio um inimigo de peso. Um inimigo que vai manifestar-se em serranias esventradas, em vales aterrados e cursos de água poluída.

Para as estratégias baseadas exclusivamente no lucro, este é um esfregar de mãos de contentamento. No entanto, e se os preços seguirem o rumo expectável, será "sol de pouca dura", a enorme capacidade para obter mais e mais lítio vai certamente fazer o preço cair abruptamente.

A prova cabal do que afirmamos é o facto de alguns gigantes vocacionados apenas para o lucro terem pedido de proteção contra falência. É o caso da Nemaska Lithium, cotada na bolsa de Toronto.

No meio de tudo isto, a realidade presente fica em risco com destino incerto. O ambiente único das Serras da Pampilhosa pode ficar em risco.

Muito vai ainda dizer-se, muito vai ainda escrever-se, mas fica o voto para que mais uma vez, o interior serrano não seja de novo "o primo pobre e descartável da família"

Luís Gonçalves

 

 

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