"Senti que deveria encontrar um nome que espelhasse o meu imaginário artístico, que quando ouvido, pudesse criar imagens na cabeça das pessoas. A conotação dos sapatos vermelhos tem muito a ver com a minha personalidade. E as referências como o filme “Red Shoes” ou “Feiticeiro de Oz” foram determinantes nesta escolha. Os sapatos vermelhos têm super poderes e também nos levam a casa."


Rita Pereira mais conhecida no meio musical como Rita Redshoes, nasceu em Lisboa em junho de 1981, no seio de uma família pampilhosense.

Pode ler-se na biografia oficial, "O mundo descobriu-a com “Dream On Girl”, a sua primeira afirmação na colectânea “Novos Talentos – FNAC 2007”, eleita Canção do Ano pela rádio RADAR, mas o seu percurso iniciou-se uns tempos antes, corria o ano de 1996, quando ainda “Rita Pereira” integra o grupo de Teatro ITA VERO na qualidade de baterista.

Em 2000 participa no grupo Atomic Bees, formado em 1997 com Rita Redshoes e um grupo de amigos. Grava o disco “love.noises.and.kisses” e apresenta-o um pouco por todo o país.

Em 2003 é convidada a integrar a banda de David Fonseca na qual permanece até 2009.

De 2006 a 2008 Rita Redshoes percorre o país como pianista de David Fonseca e começa a trabalhar no seu disco de estreia.

Entretanto, Dream on Girl, uma música que Rita Redshoes tinha gravado em casa e colocado no seu MySpace, começa a ganhar notoriedade e algum destaque em rádios como a RADAR (onde inclusive foi nomeada Canção do Ano).

O lado profissional da música, segundo a artista, foi descoberto enquanto acompanhava David Fonseca, no entanto é a solo que mostra toda a sua capacidade e criatividade.

Em 2009 inicia a sua carreira internacional, com deslocações à Holanda, EUA e Espanha. É também neste ano que a cantora esgota por duas noites o Cinema S. Jorge em Lisboa.

Em 2012, Rita Redshoes é agraciada pela "Portugal Protocolo" com o Prémio Femina Mérito nas Artes Musicais. Um galardão que visa premiar as mulheres portuguesas que se tenham distinguido com mérito, em Portugal ou no estrangeiro, profissionalmente, culturalmente e humanitariamente na sociedade portuguesa.

De riso fácil e amável, é hoje uma referência entre os mais jovens, enchendo muitas vezes os locais onde vai atuar ao vivo, principalmente em festas de norte a sul de Portugal.


SerrasOnline News - Uma pergunta que já lhe fizeram centenas de vezes, mas que não podemos deixar de incluir nesta entrevista. Porquê a escolha do pseudónimo Rita Redshoes?

Rita Redshoes – Senti que deveria encontrar um nome que espelhasse o meu imaginário artístico, que quando ouvido, pudesse criar imagens na cabeça das pessoas. A conotação dos sapatos vermelhos tem muito a ver com a minha personalidade. E as referências como o filme “Red Shoes” ou “Feiticeiro de Oz” foram determinantes nesta escolha. Os sapatos vermelhos têm super poderes e também nos levam a casa.

SerrasOnline News - "Em sonhos tenho ideias, que depois passam a ser coisas muito claras". Explique lá como é que isso acontece. São frequentes essas situações?

Rita Redshoes Felizmente lembro-me de praticamente todos os sonhos ou excertos deles, quando acordo. Esse material que vem do inconsciente, traz muita informação curiosa e criativa. O que faço é pegar nesses excertos e construir canções ou letras de canções. Interpreto-os e faço uso deles.

SerrasOnline News - Pode apontar um exemplo claro de algo que nasceu de um sonho?

Rita Redshoes – As canções “Choose Love” ou “Woman, Snake” por exemplo, vieram de dois sonhos.

SerrasOnline News - Se como diz está sempre a trabalhar, como concilia a sua vida pessoal com o trabalho permanente?

Rita Redshoes –  A criatividade é um processo mágico e sem horários. Aparece e desaparece, por isso, temos de estar sempre alerta e sempre disponíveis para trabalhar. Não consigo distinguir a minha vida pessoal da profissional, excepto no que diz respeito a responder a e-mails ou atender chamadas telefónicas. Agora, uma canção ou um texto ou uma ideia vem sem avisar!

SerrasOnline News - "N.º 2 – 6.º Andar Frente", com Fernando Tordo, certamente é uma referência na sua vida artística. Como foi cantar com um muito experiente Fernando Tordo?

Rita Redshoes – Foi um enorme prazer. Gosto muito do Fernando. Adoro o seu sentido de humor e perspicácia. E sensibilizou-me muito o seu convite. Mais do que todo o respeito e admiração que tenho pela sua carreira, vejo-o como uma pessoa amiga com quem gosto de falar sobre a vida.

SerrasOnline News - Sabemos que a sua família é oriunda de Pampilhosa da Serra. Pode apresentar-nos o seu lado pampilhosense?

Rita Redshoes – Os meus avós paternos eram ambos do Vidual. O meu avô do Vidual de Cima e a minha avó do Vidual de Baixo que ficou submerso pela barragem. Tinham muitos irmãos e portanto, além de muitos tios, também tenho muitos primos. Os meus Verões, foram sempre muito marcados pelas férias passadas aí. E que belas memórias eu tenho!

SerrasOnline News – Quantos álbuns já gravou até este momento? Qual lhe deu mais gozo fazer?

Rita Redshoes – Gravei 5 discos a solo, o quinto irá sair ainda este ano. E gravei algumas colaborações em discos de outros artistas e também Bandas Sonoras para cinema. Um destes dias tenho de fazer as contas!

SerrasOnline News – Sabemos que preza muita a condição de ser mulher. Isto tem a ver com sexismo, machismo, feminismo ou algo de que já foi vítima?

Rita Redshoes – Tem que ver com uma consciência clara de que ainda estamos no caminho para a igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres. Ainda há muito trabalho a fazer, sobretudo ao nível do despertar das sensibilidades. Tanto mulheres como homens precisam de crescer nesta parte da vida em conjunto neste planeta.

SerrasOnline News – Já sentiu alguma vez, que pelo facto de ser mulher, para obter sucesso ter de trabalhar o dobro daquilo que um homem tem de trabalhar?

Rita Redshoes – Hoje em dia sinto-me respeitada na maior parte das situações. Mas sim, já passei por episódios onde senti que estava à prova, por habitualmente as tarefas a que me proponho, serem maioritariamente desempenhadas por homens.

SerrasOnline News – Além de cantora, é também compositora. Como é criar uma canção a partir do nada?

Rita Redshoes – Há dias em que parece a coisa mais simples do mundo e outros em que sinto que deveria ter ido trabalhar para outra coisa qualquer. É sempre um processo mágico mas também doloroso.

SerrasOnline News – Foram as mulheres, essencialmente, que tiveram grande influência na sua carreira musical. Pode citar-nos algumas?

Rita Redshoes – Sim, é verdade. Mulheres como a PJ Harvey, Maria Callas, Nina Simone, Patti Smith, Laurie Anderson, Bjork...

SerrasOnline News – Sabemos que já gravou fora do país, nomeadamente em Berlim. Existe uma diferença muito grande entre a forma de trabalhar e nos meios técnicos em Portugal e no estrangeiro?

Rita Redshoes – Hoje em dia já não. Tecnicamente já não há muitas diferenças e houve também uma grande evolução no conhecimento e formação das pessoas da área. O talento, esse não escolhe país e a nós, cá, não nos falta.

SerrasOnline News – Como classifica o tipo de música que faz? Que referências usa para se inspirar no processo criativo?

Rita Redshoes – Eu acho que o que escrevo são canções, com melodias bem definidas e arranjos que misturam o meu lado clássico, com a pop e o rock. Baralho tudo e destribuo à minha maneira. Mas o que mais me inspira a escrever, são as outras artes; pintura, cinema, literatura e a vida com as pessoas lá dentro.

SerrasOnline News – Trabalhou também com o conhecido músico David Fonseca. Que influência teve no seu crescimento musical?

Rita Redshoes – O David, ao chamar-me para tocar na banda dele, deu-me a oportunidade de conhecer o lado profissional da música. Antes disso, cantava com a minha banda de garagem e os processos e circunstâncias eram diferentes. Aprendi muito a ver e ouvir. E agradeço-lhe a generosidade de me ter reconhecido talento.

SerrasOnline News – Canta em Inglês e Português. Qual dos idiomas prefere?

Rita Redshoes – Hoje em dia, prefiro cantar e escrever em português.

SerrasOnline News – Como funciona o seu processo criativo?

Rita Redshoes – É muito desorganizado. Sem ordem, ora aparece a melodia sem letra, ora aparecem os acordes sozinhos ou um ritmo isolado. Depois é escavar a ver se se encontra a pepita dourada!

SerrasOnline News – Para além da música, já se aventurou pela literatura, com o sugestivo título “Sonhos de uma rapariga quase normal”. Conte-nos como foi?

Rita Redshoes – Foi uma aventura maravilhosa e inesperada. Tinha enviado alguns textos que tinha escrito ao editor Manuel S. Fonseca da Guerra e Paz e nesses textos havia alguns sonhos. Ele leu e ligou-me a dizer para fazermos um livro! E eu, como não gosto de ter medo, disse que sim!

SerrasOnline News – 2018 terá sido o ano mais especial da Rita. Foi distinguida com o prémio pela melhor banda sonora no filme “Ornamento e crime” de Rodrigo Areias. Foi também mãe da Rosa. O que mudou em si com a experiência da maternidade?

Rita Redshoes – Sinto-me muito melhor comigo mesma. Mais segura, mais criativa e destemida. A Rosa é uma benção e a maternidade é a viagem mais intrigante e bonita que estou a fazer.

SerrasOnline News – A formação na área da psicologia tem-na ajudado na sua vida pessoal e na sua carreira, ou nem por isso?

Rita Redshoes – Talvez ajude na análise de algumas situações mas não é uma coisa consciente. Gosto de seguir a intuição, tanto em relação às pessoas, como relativamente às histórias que vou vivendo. Mas sei dar nome às coisas se for preciso.

SerrasOnline News – Desde o primeiro single “Dream on Girl”, quase feito de forma artesanal, passando por “Golden Era”, “ Lights and Darks”, “ Life is a Second of Love”, “ Her”, entre outros, vai já um longo caminho. Como se sente, quando olha para trás e ver como o tempo passa demasiado depressa?

Rita Redshoes – Mais velha! Mas também mais pacificada. Eu vivia muito na ânsia de fazer muitas coisas. Acho que já fiz muitas coisas. Quero fazer mais, mas se bater a bota entretanto, acho que não me irão apelidar de preguiçosa.

SerrasOnline News - Excetuando em trabalho, visita com alguma frequência a suas raízes?

Rita Redshoes – Sim, sobretudo no Verão. Estive aí grávida da Rosa e meses depois da Rosa nascer. Adoro a paz que se sente aí.

SerrasOnline News - Sabemos que em 2011 atuou em Pampilhosa da Serra. Sentiu-se entre a sua gente?

Rita Redshoes – Sim! Havia muitas caras conhecidas.

SerrasOnline News - Tem presente se o público aderiu ao seu género musical?

Rita Redshoes -  Tenho memórias do concerto, lembro-me de jogar matraquilhos com a minha banda antes de entrar em palco. A minha música talvez não seja a mais animada para dançar numa noite de festa no Verão mas lembro-me que as pessoas estavam disponíveis para me ouvir.

SerrasOnline News - Numa circunstância excecional subiria ao palco para apoiar Pampilhosa da Serra?

Rita Redshoes -  Em qualquer circunstância justa e nobre. Com gosto.

SerrasOnline News – Por último e para terminar, gostaria de deixar alguma mensagem aos pampilhosenses, lugar onde tem as suas raízes?

Rita Redshoes -  Gente de sorte! Basta abrirem os olhos para verem coisas bonitas. Inspirar o ar para limparem os pulmões e beber água das fontes selvagens para revigorar o espírito! Seus sortudos!

 

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