"Trabalhar em regime de trabalhador independente dá-me a liberdade de gerir o meu tempo, no entanto como Terapeuta da Fala, o trabalho não é apenas no consultório. Há muito trabalho indirecto que é feito em casa.

A Inês Veiga é uma jovem como tantas jovens em Portugal, que não descuida o divertimento e o que a vida tem de bom, mas enveredou por uma área profissional, que nunca como hoje é tão actual e tão necessária ao desenvolvimento equilibrado de um ser humano.

Estamos a falar da "Terapia da Fala".

Licenciada pela Escola Superior de Saúde do Alcoitão, e Mestre em Terapia da Fala na Área de Supervisão Clínica e Gestão de Recursos na mesma instituição. É ainda, membro da Associação Portuguesa de Terapeutas da Fala, estando neste momento a colaborar com 2 clínicas da região de Lisboa.

O seu trabalho é desenvolvido essencialmente com crianças que apresentam alterações ao nível da fala, linguagem, leitura e escrita, e é sem sombra de dúvida um bem mais do que essencial para o desenvolvimento dos futuros homens e mulheres deste País.

Mas o que sabemos nós desta área? O que sabemos nós de como se chega aqui? E quem é a Inês? Como passa os seus tempos de lazer?

O que pensam os jovens das festas do concelho de Pampilhosa da Serra? Como as vivem?

 


Serras Online News -  Inês, vamos começar por tratá-la assim, pois sabemo-la uma pessoa simples e direta.  A Terapia da Fala foi uma questão de vocação ou simplesmente aconteceu por acaso?

Inês Veiga – Acho que foi a terapia da fala que me escolheu a mim. Quando comecei a procurar áreas relacionadas com a saúde e que ajudassem a melhorar a qualidade de vida das pessoas, encontrei a terapia da fala. Quando entrei no curso e comecei a conhecer melhor a área, percebi que não se trata só de fala mas que a terapia da fala é um mundo e apaixonei-me por ele.

Serras Online News -  Fala-nos um pouco daquilo que foi o teu percurso de estudante. Que escolas frequentaste, que ambientes enfrentaste, no fundo, o que te guiou para conseguires atingir o teu objectivo?

Inês Veiga – Frequentei até ao 2º ciclo um colégio privado e depois passei para uma escola pública. Acabado o secundário entrei na Escola Superior de Saúde do Alcoitão que foi e sempre será uma referência para mim e onde tive como exemplos para a minha profissão professores que hoje tenho o orgulho de poder chamar de colegas. A verdade é que sem querer, mesmo sem sabermos o nosso futuro, vamos guardando exemplos que hoje em dia fazem sentido e nos ajudam não só a nível pessoal como profissional.

Serras Online News -  Entremos um pouco no campo pessoal. A Faculdade deu-te tudo, e o liceu? Ainda hoje cultivas amizades desse tempo?

Inês Veiga – Dos meus vários percursos escolares posso dizer que guardo amigos que ficaram para a vida, desde a pré-primária.

Serras Online News -  A tua intensa actividade profissional independente permite muitos tempos livres?

Inês Veiga – Trabalhar em regime de trabalhador independente dá-me a liberdade de gerir o meu tempo, no entanto como Terapeuta da Fala, o trabalho não é apenas no consultório. Há muito trabalho indirecto que é feito em casa. Mas, como tudo, quando queremos, e somos metódicos arranjamos tempo para o que quisermos fazer, para além do trabalho.

Serras Online News -  Hoje corres de um lado para o outro, o que te permite ter uma noção mais real das necessidades de saúde dos nossos meninos. Na tua opinião como está a saúde infantil em Portugal?

Inês Veiga – Posso falar da minha área, julgo que agora as pessoas estão mais despertas para as dificuldades das crianças e procuram mais cedo o acompanhamento necessário. Felizmente já é possível ter acesso a Terapia da Fala mais facilmente de forma a eliminar as dificuldades.

Uma das coisas que esta pandemia também permitiu foi que, nós Terapeutas da Fala, nos reinventássemos. A Teleterapia era ainda uma realidade não muito explorada. Já era utilizada para trabalhar algumas áreas mas que poucos terapeutas da fala exerciam.

A verdade é que tem funcionado muito bem, com resultados positivos, o que nos faz pensar que podemos chegar a zonas geográficas, por exemplo do interior, onde por vezes é difícil fazer deslocar um profissional de saúde.

Serras Online News -  Sendo uma genuína pampilhosense, mais propriamente da aldeia da Póvoa, ainda te sobra tempo e disponibilidade para visitar o concelho?

Inês Veiga – Tem de sobrar! Faço questão de visitar o concelho sempre que posso. Para além de gostar muito do nosso concelho, tenho também a minha família e amigos que faço questão de visitar com a regularidade possível.

Serras Online News -  Que recordações tens da Póvoa, como eram os tempos de férias na aldeia?

Inês Veiga – As recordações são muitas e sempre que as relembro são com um sorriso na cara. Costumava passar quase 3 meses de férias na Póvoa e brincava muito! Costumo dizer que quando voltava a Lisboa, vinha a falar a cantar como na Pampilhosa.
Aprendi muito, não só com os meus avós, mas também com todos os povoenses.
Relembro, por exemplo, que ia toda feliz apanhar batatas e depois fazíamos sempre um grande almoço convívio. Havia uma grande entreajuda na Póvoa, aliás ainda há!

Serras Online News -  Desses tempos ficaram amizades para sempre?

Inês Veiga – Sim, sem dúvida. Alguns são família que são amigos e outros que não sendo família, considero-os como tal e sei que ficarão para sempre.

Serras Online News -  Hoje, continuas comprometida com a aldeia? Sabemos, por exemplo, que estiveste envolvida no processo de reflorestação da Póvoa no pós incêndios de 2017, algo que te marcou profundamente?

Inês Veiga – Ajudo no que for preciso e sempre que necessário. O incêndio de Outubro de 2017 foi um acontecimento que marcou a minha aldeia e oO incêndio de Outubro de 2017 foi um acontecimento que marcou a minha aldeia e o concelho e tenho a certeza de que ainda está muito presente na mente de todos. Marcou-nos a todos… concelho e tenho a certeza de que ainda está muito presente na mente de todos. Marcou-nos a todos…eu tinha a minha família lá e estávamos sem conseguir contactá-los, sem saber o que estava a acontecer, foi uma noite que não esquecerei, pelos piores motivos.

Naquele momento o que era preciso era levantar a moral de toda a gente que vivenciou o momento, reflorestar, ajudar no que fosse preciso e foi isso que fiz…começámos pela Póvoa mas também arranjámos árvores para aldeias vizinhas. Houve um empenhamento muito grande e contámos com a colaboração de muita gente amiga de fora do nosso território.

Serras Online News -  O esforço despendido na reflorestação foi compensador? Temos árvores novas desse ano?

Inês Veiga – Nem que seja pela felicidade das pessoas, foi muito compensador! Não sou nenhuma expert em agricultura mas temos já muitas árvores que até já estão a dar fruto. Quem visita hoje a Póvoa e se movimenta pelo perímetro urbano nem dá conta que houve um incendio com aquelas proporções, pois está tudo muito mais verde.

Pena é que na zona onde antigamente existia floresta, neste momento, está tudo despovoado com as arvores caídas e por cortar, o que torna um ambiente desolador. Foi uma oportunidade perdida para a reorganização da floresta que as entidades locais e nacionais não aproveitaram para elaborar um plano de reflorestação.

Serras Online News -  E as célebres festas da Páscoa, como era trazer tanta juventude à aldeia e fazer coisas inovadoras para a realidade da Pampilhosa?

Inês Veiga – Todos os que têm raízes na póvoa traziam amigos. Para nós era mais um momento para conhecerem o nosso cantinho e ficarem com vontade de voltar e voltavam. Divertíamo-nos muito a fazer isso e nunca pensámos que as pessoas iam começar a aparecer por ser algo inovador, simplesmente estávamos a aproveitar o momento.

Serras Online News -  Acreditas que, nos tempos de hoje, ainda existe espaço para as nossas aldeias? Achas que devem tentar manter a sua identidade ou modernizar-se em busca de novos mercados?

Inês Veiga – Continuo a defender que há espaço para o Interior do nosso país. A verdade é que há maneiras de modernizar sem perder os costumes antigos e penso que o caminho é por aí. Um território como o nosso que não tendo atratividade a nível de monumentos tem que potenciar e valorizar o seu património cultural e falo, por exemplo, dos moinhos de água, dos lagares e de tudo o que eles encerram à sua volta.

Serras Online News -  Como jovem, as grandes festas do concelho, particularmente, o Sunset conseguiram conquistar-te? És presença assídua?

Inês Veiga – Conquistaram-me e foi algo que trouxe muita gente à Pampilhosa e fez de certa forma desenvolver um bocadinho a Vila. Quanto a ser presença assídua, não posso dizer que o seja. Normalmente já é distante da data da festa da Póvoa e por motivos profissionais nem sempre consigo estar nas duas festas e assim sendo dou prioridade à festa da minha aldeia.

Serras Online News -  Qual a tua opinião sobre as festas do Inspira Natal e do Sunset, serão apostas de futuro?

Inês Veiga – Acho que são uma boa maneira de divulgar o nosso concelho e captar pessoas. Mas sabe a pouco, pois o resto do ano quem visita o concelho verifica que cada vez tem menos pessoas, infelizmente.

Serras Online News -  Queres deixar uma mensagem final aos pampilhosenses, especialmente aos pais com filhos cujo problema se insere na tua área?

Inês Veiga – O Terapeuta da Fala trabalha ao nível da prevenção, avaliação, intervenção e estudo científico das perturbações da comunicação humana e ao nível da alimentação e deglutição por isso se sentirem que há algum sinal de alerta na fala, alimentação, voz, aprendizagem da leitura e escrita ou linguagem ao longo do desenvolvimento dos seus filhos, devem consultar um Terapeuta da Fala para que os possa orientar nos passos a seguir.

No entanto, é importante referir que a Terapia da Fala não é só para crianças. A Terapia da Fala pode ser indicada em todas as idades, desde os recém-nascidos à população mais idosa, com ou sem patologias diagnosticadas de forma a melhorar a sua qualidade de vida. Assim, todas as áreas que referi anteriormente, não são apenas trabalhadas com as crianças, mas também com os adultos.

 

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