Após mais uma estadia na nossa Pampilhosa da Serra, para recarregar baterias e tentar expurgar alguns dos efeitos provocados pelo nosso isolamento forçado devido à pandemia, algumas ideias e reflexões nos assaltaram, entretanto.

Precisa-se de bom senso de facto, e dizemos isto com uma enorme mágoa. Por muito que nos custe a maioria das pessoas só entende a “lei do cacete”. Cumprem, se a isso forem obrigados, por “motu” próprio e responsavelmente não o fazem, transgridem e violam as regras e até o mais elementar do bom senso.

Deslocámo-nos ao Vilar da Amoreira, lugar que muito apreciámos e que nos transmite paz, harmonia e uma agradável simbiose com a natureza. Verificámos que o comportamento da grande maioria da população era de tal forma descontraída, que alguém que viesse de outro planeta pensaria que, estávamos a atravessar tempos normais e não em período de pandemia.

Distância social, uso de máscara, pura e simplesmente não existiam, usavam-se a piscina, as mesas da esplanada do bar, as mesas dos pic-nics com uma total falta de observação das regras recomendadas pelas autoridades de saúde, que nós como cumpridores delas nos sentimos quase com “avis raras” e seres estranhos no meio dos frequentadores.

Abstemo-nos de fazer julgamentos, como é usual hoje em dia nas redes sociais, em que se julga e condena com a mesma leviandade de quem bebe um copo de água. Pretendemos apenas apelar ao bom senso das pessoas, e ao respeito que devem a elas mesmas, ao próximo e aos cuidadores de saúde que têm sido sacrificados e injustiçados com esta situação.(1)

Na Vila da Pampilhosa assistimos exactamente ao mesmo tipo de comportamento, até nos disseram para retirarmos a máscara, que por ali não havia pandemia. Felizmente até agora não houve casos registados, mas com este tipo de comportamento dificilmente o território ficará incólume. Será uma situação que não queremos nem desejamos de todo, porque a acontecer com a especificidade da população residente irá certamente ser um enorme desastre.

Outro aspecto que nos preocupa e que está a tomar proporções alarmantes novamente, é o flagelo dos incêndios. Pouco ou nada aprendemos com a última grande catástrofe. A vegetação cresce alegremente junto de habitações, os amontoados de lenha cortada também, sem que os proprietários tenham a devida consciência do perigo potencial que os mesmos representam.

Com este pequeno reparo, pretendemos apenas alertar consciências e não funcionar como polícia de costumes ou como alguém que vê mais longe que os demais. Questionamo-nos, até, muitas vezes se estamos certos ou errados, ou se devemos pura e simplesmente tomar uma posição cómoda como a grande maioria toma, ao dizer “Não estou cá para me chatear”.

Pelo contrário, nós estamos cá para nos chatear, por aquilo em que acreditámos e por quem e por aquilo de que gostamos. Será sempre essa a nossa posição, doa a quem doer, gostem ou desgostem.

Odivelas, 24 de Junho de 2019

António Barata Lopes

(1). De referir que o tipo de comportamento relativo às medidas recomendadas pelas autoridades de saúde, verificamos a sua violação em todos os lugares do país por onde passámos, não é exclusivo nas nossa serras da Pampilhosa, salvo algumas honrosas excepções.

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