Recordar, algo que ainda hoje passados anos nos toca profundamente, é provavelmente o melhor caminho para nos incentivar a olhar mais um pouco para o lado.

É também uma boa desculpa para demonstrar, que gente especial proporciona momentos especiais.

2012 Lousã…é inverno.
Da serra desce um frio que gela a alma…Márcio, 17 anos, alto, desengonçado, sorriso preso à espera de motivo, de parcas palavras…. Institucionalizado….

Segunda feira, chega à Unidade de Ensino Estruturado, olhar perdido, mas numa agitação sem limites, quase não consegue movimentar-se, veste invariavelmente dois pares de calças e várias camisolas da mãe …é o aconchego e o calor que traz com ele sempre que é possível ir vê-la. Chega só, no autocarro vindo da Pampilhosa das Serra…seguindo uma rotina que lhe guia os passos.

Senta-se frente ao computador e no motor de busca, escreve “Tony”. Levanta-se de novo e da gaveta dos materiais, retira os fones. Volta a sentar-se e envolve-se num outro mundo de amor… o seu “Tony”
Descobrir esta sua outra paixão…. Levou-me a pensar em algo que o poderia acalmar e a trazer de novo o sorriso e a calma  a este menino, sempre que a sua mente se agitasse.
E um novo salvador surgiu: Luís Gonçalves. Ao descobrir esta paixão do Márcio, ofereceu um CD com fotografias da terra que este jovem tanto gostava associadas ao seu ídolo com uma mensagem do próprio Tony “para o Márcio”.

Foi lindo. Quando lho entreguei, primeiro ouviu-o e viu as imagens e vídeos todo o resto da manhã. À hora de almoço abraçou-me e disse….”Gosto de ti!”.

As segundas feiras vindas do fim de semana tornaram-se mais leves… sempre que chegava nos mesmos preparos… dava-me um beijo no cocuruto da cabeça, ia buscar o CD, e ouvia, e acalmava…. e, no fim, realizava todas as tarefas para si definidas nesse dia.

Não importa o tipo de amor, o que importa é o que ele une e possibilita.

Professora Fernanda Fidalgo

 

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