José Augusto Barata oriundo da Aldeia do Meio, Pampilhosa da Serra, de profissão médico, tem como um do seus hobbies a escrita.

Lançou nas comemorações do 78º aniversário da Casa do Concelho de Pampilhosa da Serra e 20º do jornal Serras da Pampilhosa, que decorreu 2 de Junho de 1999 nas instalações da casa concelhia o  livro intitulado “Aldeia do Meio: Um esboço etnográfico”, .

A sala de apresentação era pequena para tantos amigos, familiares e entidades convidadas, estando presentes o presidente da Assembleia Municipal de Pampilhosa da Serra, Hermano Almeida, o vice-presidente da Câmara Municipal, Jorge Custódio, o presidente da Junta de Freguesia de Marvila, José António Videira, o presidente da Casa do Concelho, José Ferreira e António Barata Lopes que apresentou o livro.

O Presidente da Casa do Concelho José Ferreira agradeceu a presença de todos, felicitou o autor, desejando-lhe o maior êxito com  o livro. De seguida interveio o presidente da Junta de Freguesia de Marvila, José António Videira, também ele com raízes em Vale Serrão. Assinalou que a ligação da autarquia a que preside ao autor, veio através da amiga Alda Pereira, oriunda do Vale de Pereiras, e do amigo Barata Lopes, oriundo de Vale Serrão, que lhe lançou o desafio de promover o livro e que o levou a travar conhecimento com o autor. Frisou que a sua junta se sentiu motivada para apoiar o projecto do livro tendo em conta “o seu valioso conteúdo e qualidade”. Classificou o livro como “uma excelente edição que honra muito o nosso concelho” .  A terminar desafiou o autor a fazer um livro acerca das “alminhas”, desejando-lhe a melhor saúde e felicidade.

Hermano Almeida, disse na sua alocução que “a apresentação deste livro é mais um motivo de engrandecimento do concelho”. Lamentou o abandono populacional da região, mas que “em termos de cultura, ao reviver o passado vamos tendo gente que vai reconstruíndo e fazendo história, dando-nos algumas alegrias da terra que nos viu nascer”, enaltecendo a carreira profissional do autor como médico e professor e pelo conjunto de publicações literárias que editou que “enobrecem o concelho”.

António Barata Lopes procedeu de seguida à apresentação do livro, começando por sublinhar as qualidades profissionais do Dr. José Barata como médico e também como escritor. Referiu que “o livro retrata a vida difícil e quase miserável dos nossos antepassados nas aldeias de Pampilhosa da Serra.”, adiantando que foram essas dificuldades que moldaram os pampilhosenses para serem “resilientes e tenazes”, capazes de ultrapassar os obstáculos à custa do seu trabalho. Frisou que os diversos capítulos do livro retratam, não apenas a vida na Aldeia do Meio, sendo transversal às restantes aldeias da região. Chamou a atenção o capítulo dedicado às locuções populares, recordando as palavras que o povo usava e algumas ainda em uso. A terminar recomendou a leitura daquela obra “que deve fazer parte de qualquer biblioteca”.

O autor interveio de seguida, começando por classificar o seu livro como “uma obra modesta” pelo que transmitiu o seu agradecimento a todos os presentes. Agradeceu a todos os que o apoiaram na elaboração do livro, nomeadamente a Barata Lopes na revisão, á Casa do Concelho, ao “Nélito” (nome por que é conhecido Hermano Almeida) e à Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra e à Junta de Marvila na pessoa de José António Videira pelo patrocínio da publicação.

Acerca do livro, José Barata disse que a publicação teve dois objectivos: Um deles foi “homenagear um povo que durante cerca de 400 anos criou uma identidade fortíssima, numa geografia adversa, de pobreza, de miséria, mas que criou uma identidade que ainda hoje nos marca de uma forma indelével”. Outro objectivo é “não deixar morrer uma cultura imaterial criada por este povo, e fazer com que esta cultura não se perca.”, reforçando que “o património cultural que o livro retrata não é exclusivo da Aldeia do Meio, mas transversal a toda a região beirã, ficando agora preservado para o futuro”. A terminar José Barata homenageou uma senhora do século XVII de seu nome Isabel Vaz, que foi a primeira mulher a dar á luz na Aldeia do Meio, à Tia do Forno e Tio Manuel Almeida, dois aldeãos com horizontes mais largos que as serras nativas, e a Maria de Jesus, sua mãe, um dos mais lúcidos arquivos da cultura aldeã, e às  jovens solteiros que estão na fotografia de capa do livro, tirada cerca do ano 1957.

Jorge Custódio, em representação da Câmara Municipal, disse ser “para nós um prazer enorme continuar a assistir a pessoas que passam para o papel o que são as nossas histórias e dos nossos antepassados, porque se não respeitarmos o nosso passado e as nossas raízes não conseguiremos passar os valores para as gerações seguintes”. Reiterou todo o apoio da Câmara Municipal à iniciativa e lançou um repto ao autor para que faça uma nova sessão apresentação do seu livro também na Pampilhosa da Serra ou na Aldeia do Meio.

O conterrâneo Armindo Mendes, em seu nome e em nome do povo de Aldeia do Meio agradeceu ao autor do livro José Barata e aos patrocinadores, Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra e Junta de Freguesia de Marvila, sem esquecer a Casa do Concelho. Enalteceu o trabalho do autor pela “recolha do património histórico e cultural da sua aldeia que se perdia no tempo”. Salientou o esforço do seu conterrâneo na execução da obra apresentada, a juntar aos sacrifícios despendidos na sua vida profissional como médico. “Foi e é um herói na representação do passado e na construção do presente.”, disse Armindo Mendes, lamentando de seguida o despovoamento da aldeia e a sua continuidade histórica, contrariada pela acção das autarquias e do movimento regionalista através da Casa do Concelho, classificando também o livro como uma obra literária de grande valor.

Recordamos que José Augusto Barata já tem uma obra de alguma dimensão, dos quais salientamos os seguintes: O Mitos na Saúde e na Doença, As Doenças e as Mortes de Reis e Rainhas da Dinastia de Bragança e A vida na Corte Portuguesa.

 

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